quarta-feira, 11 de maio de 2011

A criação do PSD e o casamento do pavão

Augusto J Hoffmann
 
    A sabedoria milenar japonesa ilustra de como algumas idéias se tornam desatrosas, aqui bem aplicada a nossa política partidária, como boa parideira,  sempre lançando rebentos.

    Em uma planície , viviam uma urubua e um Pavão. Certo dia, o Pavão inconformado em não poder voar alto, como as outras aves, refletiu:

- Sou a ave mais bonita do mundo animal , tenho uma plumagem colorida e exuberante, porém, nem voar eu posso de modo a mostrar minha beleza, feliz é aquela urubua, lá naquela árvore alta, livre para voar para onde o vento a levar.

    A Urubua , por sua vez , também pensava, no alto da árvore:

-Que infeliz ave sou eu, a mais feia de todo o reino animal e ainda tenho que voar para ser vista por todos,  quem me dera ser bela e vistosa tal qual aquele pavão, lá no chão!

    Foi quando ambas tiveram a brilhante idéia de se casarem. E sonharam: seus descendentes, voariam como a urubua e teria a imponência de um Pavão.

    Na maternidade, quando  observavam o primeiro filho, perceberam se parecer com o peru que, além de feio e desengonçado, não voa!

    Conclusão: na nossa política corrompida, repleta de vícios , não é trocando de roupas e borrifando perfume que vão consertar.

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COPY DESK, O ANÔNIMO EDITOR DE TEXTO

Por Nei Duclós

Um copy é um especialista em extirpar lugares comuns, descobrir furos na estrutura do texto, buscar informação para resolver impasses, entrevistar o repórter, checar as fontes, entregar tudo no prazo e retirar-se todos os dias para sua caverna nas montanhas. Lá no alto, ele medita esperando o sol nascer de novo para iluminar o vale das palavras.

      Fui copy a vida inteira. Chamava-se redator, uma função que sumiu na imprensa. Chegávamos mais tarde e saíamos por último, junto com o editor. Recebíamos os textos, copidescávamos, fazíamos o fechamento, como títulos, olhos, legendas etc. Hoje repórter faz tudo isso. A terceirização desses encargos liberava a reportagem da chatice de acertar o número exato de toques de um título sem cair no ramerrão muito comum hoje, de usar "diz que" ou verbos esdrúxulos como mirar (mira é curto, aparentemente resolve, mas fica estranho). Um bom copy é obrigatoriamente criativo, além de competente, e o primeiro a ler a matéria, o amigo dos leitores do jornal ou revista.

     Os copys eram anônimos para o grande público, só conhecidos e valorizados no meio jornalístico. Chamavam um bom copy de “puta texto”, que extraía maravilhas de uma maçaroca de dados. Grandes copys ficam na História, como o legendário Miltainho, Mylton Severiano da Silva, que fazia dupla com repórteres antológicos como Hamilton Almeida Filho. Outros se revelaram escritores famosos, como o Fernando de Morais ou Humberto Werneck. E muitos ficaram naquele circulo compenetrado dos grandes fechadores, exímios artífices da língua, como Antenor Nascimento ou Genilson César. A relação com os editores costumava ser amigável, pois resolvíamos um monte de pepinos, mas com a reportagem havia tumulto.

     “Foi você que mexeu no meu texto?” perguntou a repórter da Ilustrada, da Folha de S. Paulo, furiosa, com o jornal na mão, no meu segundo dia de copy no caderno. Fui, respondi. “Então da próxima vez não assine meu nome, porque eu não escrevi isso”. Ok, tornei a falar. Vou fazer isso. Não vou assinar seu nome e continuar copidescando. O texto da moça era muito ruim e em um mês ela ficou minha amiga. Descobriu que eu trabalhava a favor dela. Fazia questão de assinar tudo. O copy assumia uma espécie de missão cívica, com o mesmo espírito do trabalho solidário.

Leia o texto completo em OUTUBRO (no blog Outubro)

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