segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Amanhecer na Armação do Pântano do Sul


 PAIXÃO AÇORIANA

SABIA SEMPRE ONDE ERA BOM DE SE PESCAR
GUARDAVA SEMPRE BONS TEMPEROS SÓ PRA MIM
SABIA MUITO DAS MARÉS
CATAVA CONCHAS PELO CHÃO
CONTAVA HISTÓRIAS DOS PESQUEIROS DA ARMAÇÃO...
(Jorge Coelho) 

geni mafra deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Amanhecer na Armação do Pântano do Sul": NOSSAAAA! Lindooo
Obrigada por partilhar...
abçs
Gení
 

Share/Bookmark

A Grande Decisão

Miami/Urgente
Arlindo Vermes (vermes@vermes.com)
Correspondente Internacional Terceirizado

    Colombo acorda nesta ensolarada manhã de 2ª feira, quase 11.30h, faz uma chamada telefônica e diz, efusivamente:
- Bira, I have a dream. E repete: I have a dream. O Bira, escuta, pensa e diz: Raimundo, esta frase é do Martin Luther King. Mas, é louvável o teu esforço.
Então, Colombo, lança outro brado: - We are the champions, e o Bira explica que esta é do Fred Mercury, vocalista do Queens.
   Aparentemente recuperado, o governador convida o amigo para o almoço. 
   O Bira diz: lunch? Colombo responde: não me fale nunca mais em lunch porque eu lembro do botão launch (lançamento) da espaçonave. E riram os dois.
    Almoçaram num recinto privado e, por deferência ao meu trabalho como correspondente, fui convidado a participar.
    Colombo estava diferente dos outros dias. Os olhos dilatados, um ar de alegria incontida e uma certa ansiedade.
    O Bira percebeu e sugeriu cinco comprimidos de VALIUM 25. Colombo acatou.
    Então, como numa abertura de ópera, o governador anunciou: Mudaremos o poder para cá. Os três poderes. Faremos da descentralização algo que eles nunca imaginaram.
    Bira, dizia Colombo entusiasmado, aqui está tudo pronto. As rodovias, as pontes, os hospitais, escolas, aeroportos e até as cadeias. 
    Não precisamos gastar nenhum centavo. Tudo funciona.
    Podemos terceirizar o poder. Nós pagamos e eles administram.
    O Bira pensou, refletiu e concluiu: Raimundo, meu caro, sob a ótica filosófica funcional e substantiva da reinterpretação agnóstica da República de Platão, tem cabimento teu desejo.
Seria como refundar a teoria sociológica de Kierkegaard num plano individual e holístico com nuances socráticas, finalizou o Bira.
    Colombo gostou do argumento e sentido-se encorajado, avançou: O Executivo ficará em Boca Raton, o Legislativo em Fort Lauderdale, também na beira do mar, em razão da necessidade do bronzeamento natural de alguns. O Judiciário transferiremos para Orlando. Quando eu escutei, logo pensei em Orlando Orfey. No Grande Circo Orlando Orfey. 
    Depois, lembrei-me que era Orlando onde está a Disney World e suas cintilantes maravilhas.
    E o Tribunal de Contas, para onde vai? Aí Colombo foi magistral. Eles não querem helicópteros? Não querem voar? Então vão para a base aérea mais bem equipada da Flórida, em Five Wings.
    Ficou resolvido que na chegada a Florianópolis haveria uma reunião com todos os membros dos três poderes, somente os de primeiro escalão, para tratar da transferência e do auxílio moradia, do vale alimentação incorporado ao vale transporte para uso na América. Além de quatro passagens áreas anuais para o Brasil. Primeira classe, claro.
    Foi aí que surgiu um problema grave. O que fazer com os prédios públicos na capital de Santa Catarina?
    O Bira sugeriu uma reengenharia sócio-educativa pós-malthusiana, atualizada didaticamente pela teoria Marcuse. E explicou: daremos uma tablet para cada estudante catarinense e eles estudarão em casa. Os professores vão plantar hortaliças orgânicas, pois é necessário acabar com a ociosidade instalada no sistema. Exportaremos batatas para a China, o maior mercado consumidor do mundo. 
    As escolas serão transformadas em centros de reciclagem humana, como no filme Soylent Greenhttp://www.youtube.com/watch?v=-wa4U6TQlNI&feature=related (veja).
    Quanto aos outros prédios, decidiram que alugariam e fariam mais receita financeira. O Centro Administrativo seria transformado no Museu Descentralizado Luiz Henrique. A Casan, Celesc e a Imprensa Oficial seriam vendidas para os fundos de pensão.
    A Ilha voltaria aos anos setenta. Sem engarrafamentos, sem edifícios e preços absurdos, sem tanta violência e  com a corrupção moderada.
    Raimundo Colombo tomou a decisão mais acertada de sua vida: mandar os poderes constituídos para outro hemisfério.

Janísio deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Grande Decisão": Canga,
E ainda dizem que o Colombo não trabalha. Pode não trabalhar aqui, mas lá no exterior deu um banho.
E por que este tal de Arlindo Vermes não está na imprensa catarinense em caráter permanente?
Não podem pagá-lo? Ele sabe demais? Não aceita "jabá". Quem o indicou para o blog?

abs, Janísio Serpa
Itapema - SC 



Share/Bookmark

Espíritos Amputados

    Por Marcos Bayer
   
    Este pequeno texto é uma homenagem pública, absolutamente pública, ao Edison Silva Jardim Filho. Não vou chama-lo de doutor, pois os que  sabem prescindem da titulação. Seu artigo, brilhante, comprova que o brilho pertence aos sábios e aos raros.

    O Silva Jardim, filho de uma legítima família florianopolitana, descreve o Brasil, a sociedade brasileira e o caráter de uma casta sem que caiba qualquer outro reparo.

    O Mosquito, Amilton Alexandre, e sua prisão durante interrogatório judicial apenas revelam o espectro de um poder lerdo, inoperante e incapaz de realizar sua finalidade. Haverá dentro dele homens e mulheres de espírito vivo. Certamente haverá. Mas, como nos outros poderes, a força e o peso da maioria fazem a regra operacional.

   O Brasil continua a ser um povo majoritariamente semianalfabeto, submetido ao logro diário e incapaz de reação.

   As redes de televisão e os jornais mostram diariamente, em cadeia nacional, o saque contra as finanças públicas, nos três níveis de jurisdição. O brasileiro assiste, resmunga e vai dormir. Amanhã será igual.

   Os que se insurgem, não importa qual a área em que atuam, são os repelidos, os indesejados, os evitados.

    Assim, numa sociedade hipócrita, onde o sorriso e outros predicados podem valer ascensão funcional, e composta de rentistas (na expressão de Mangabeira Unger, neto do João Mangabeira a que se refere o Silva Jardim) que controlam a política nacional e sufocam o setor produtivo, só me resta aplaudir o artigo referido e lamentar que o Brasil continue nas
mãos de espíritos amputados.


geni mafra deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Espíritos Amputados": Pedindo licença ao Everton, porque não sei dizer bonito assim e concordo plenamente com o dito,faço minhas suas palavras a respeito dos dois textos do Silva Jardim e do Bayer.
Abçs à todos sempre na esperança...de que "um dia" a verdade aparecerá! 
 


Everton deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Espíritos Amputados": Canga, por favor, remeta ao Silva Jardin e ao Bayer, o nosso parabéns!! São duas falas que merecem nota 100 com estrelinhas (pra lembrar os velhos tempos). E por falar em tempo, havia muito tempo que não lia algo que me fizesse manifestar (com todo o respeito aos textos qui publicados).

Everton

Share/Bookmark