Quem
mudou? O Lula assumiu em 2003 sob a desconfiança de que era um Fidel
Castro brasileiro. Achava que ele tinha que ter estágio no governo
brasileiro até para o povo se decepcionar com ele. Mas, da maneira que
exerceu a Presidência, diria que ele está à minha direita. Eu, perto do
Lula, sou comunista.
Eu não teria tanta vontade de defender os bancos e as multinacionais
como ele defende. Quando ele tira imposto dos carros, tira da
Volkswagen, da Ford, da Mercedes. Quando defende sistema bancário,
defende quem? Os banqueiros.
Eu, Paulo Maluf, industrial, estou à esquerda do Lula. De modo que ele
foi uma grata revelação do livre mercado, da livre iniciativa."
O Conselho de Ética do Senado aprovou ontem, por unanimidade, a
cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) por quebra
de decoro parlamentar. Os 15 membros do conselho aprovaram o relatório
do senador Humberto Costa (PT-PE), que apontou “vantagens indevidas” e
“irregularidades graves” cometidas pelo ex-líder do DEM.
O pedido segue agora para votação na CCJ (Comissão de Constituição e
Justiça). Em seguida, vai ao plenário, em votação secreta, onde ao menos
41 senadores precisam aprová-lo para Demóstenes perder o mandato em
definitivo.
Com 79 páginas, a leitura do relatório de Costa durou três horas. Ele
rebateu as versões apresentadas por Demóstenes de que desconhecia
atividades ilícitas de Cachoeira. Costa disse que Demóstenes, suplente
da extinta CPI dos Bingos, sabia que Cachoeira teve o indiciamento
aprovado pela comissão por diversos crimes. Beba na fonte.
Por 15 a 0, conselho aprova cassação de Demóstenes Torres
E a Conferência da ONU, a Rio + 20, entrou para o circuito turístico da cidade. Traz gente de todo o planeta, toma a rede hoteleira, enche os restaurantes e mobiliza bares, boates e shows específicos.
Virou um happening no calendário mundial. Todos falam das desgraças ambientais, prometem medidas saneadoras, alguns protestam, a mídia cobre a conferência, os portadores de necessidade especiais são considerados e assim cegos, surdos e mudos passam à condição de cidadãos globais.
Os EEUU anunciam pequenas ajudas aos países pobres, aos africanos, para a geração de energia eólica, U$ 20 milhões de dólares. Isto compra 20 apartamentos em Balneário de Camboriú, dos médios. Mas, como ninguém compara os números, tudo parece benemerência. O PIB mundial deve rondar os U$ 70 trilhões de dólares. O dos EEUU é de U$ 17 trilhões.
Somos sete bilhões de habitantes, três bilhões ainda sem as garantias básicas da sociedade cibernética. Metade dos humanos não tem: telefone, calorias suficientes em suas refeições e principalmente saneamento. Saneamento. Um bilhão mora em condições precárias.
Neste quadro, onde a poluição aumenta e a água potável começa a escassear, os países participantes, entre eles os EEUU, decidem continuar com seu modelo econômico baseado na exaustão dos recursos naturais.
Assim, quarenta anos depois da Conferência de Estocolmo, em 05 de Junho de 1972, a questão ambiental continua conceitual, com algum avanço na reciclagem na Europa. No Brasil é marcante a reciclagem do alumínio utilizado nas latas de cerveja, sucos e refrigerantes.
Para os ricos sempre haverá uma ou outra ilha com mar limpo ou banheiras de água cristalina, champagne, música e toalhas brancas lavadas em algum lugar. Os cenários de papelão, coloridos e decorados, apresentarão as telas com os filmes sobre a biodiversidade, os cata-ventos geradores de energia, a reciclagem do alumínio, as casas iluminadas pelo sol e uma parafernália de objetos que o mercado inventou e passou a produzir para que os sete bilhões de consumidores sonhem com novo mundo. Metade deles pode comprar os carros, geladeiras, televisores e até roupas com o selo verde. A outra metade não sabe o que se lhe apresentará.
Estamos colocando uma samambaia dentro de cada apto em Copacabana, como fizeram os hippies nos anos setenta do século passado. Não se resolveu o problema da carência de áreas verdes no bairro e ainda acabaram com uma quantidade razoável de xaxim em algum lugar do Brasil. Este é o quadro mundial. Estamos pendurando samambaias, ainda. E destruindo os lotes de xaxim.
De útil, uma conscientização entre as crianças urbanas, que nunca foi perdida entre os habitantes do campo sobre os ciclos da vida, as estações, o cuidado com a água e o descanso da terra. Muito embora, até aqui na serra catarinense, a maioria planta a maça, o tomate e outras hortaliças com uso maciço de fertilizantes e defensivos agrícolas, ou seja, com venenos que correm para os rios com a força das chuvas.
A questão ambiental ainda é teoria para a humanidade.